Romantismo no Brasil - Prosa

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Romantismo no Brasil - Prosa

Mensagem  Geisa em Qui Jul 28, 2011 7:52 am

Romantismo — prosa

Um dos fatos mais importantes do Romantismo foi a criação de um novo público, uma vez que a literatura tornou-se mais popular, o que não acontecia com os estilos de época de características clássicas. Surge o romance, forma mais acessível de manifestação literária; o teatro ganha novo impulso ao assumir feições nacionais e populares. Com a formação dos primeiros cursos superiores, em 1827, e com o liberalismo burguês, dois novos elementos da sociedade brasileira representam um mercado consumidor a ser atingido: o estudante e a mulher. Com a vinda da família real, a imprensa passa a existir no Brasil e, com ela, os folhetins, que desempenharam importante papel no desenvolvimento do romance romântico.
O romance romântico passa a responder às exigências do público leitor. Para tanto, tinge-se de “cor local”; gira em torno da descrição dos costumes urbanos, ou de amenidades das zonas rurais, ou de imponentes selvagens, apresentando personagens idealizados pela imaginação e pela ideologia românticas, com os quais o leitor se identificava, vivendo uma “realidade” que lhe convinha.
Cronologicamente, o primeiro romance brasileiro foi O filho do pescador, publicado em 1843,
De autoria de Teixeira e Sonsa. Romance sentimentalóide, de trama confusa, não serve para definir as linhas que o romance romântico seguiria em nossas letras.
Dessa forma, pela aceitação do público leitor, por Ter moldado o gosto desse público ou correspondido às suas expectativas, convencionou-se adotar o romance Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1844, como o primeiro romance brasileiro.

Joaquim Manuel de Macedo

Joaquim Manuel de Macedo nasceu no Rio de Janeiro, em 1820. Em 1844, mesmo ano em que se forma em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, publica seu primeiro romance — A Moreninha. Faleceu em 1882, na cidade do Rio de Janeiro.
A obra de Macedo representa todo o esquema e desenvolvimento dos romances românticos iniciais: descrição de costumes da sociedade carioca, suas festas, tradições e ambientes típicos; caráter documental; estilo fluente e leve; linguagem simples, que beirava o desleixo; tramas fáceis; pequenas intrigas de amor e mistério; final feliz, com vitória do amor. Com essa receita, Macedo consegue ser o autor mais lido do Brasil nas décadas de 1840 e 1850, até sofrer a concorrência de Alencar e seu O guarani (1857).
Macedo foi, por excelência, o escritor da classe média carioca, que se opunha à aristocracia rural. Sua pena tinha o “gosto burguês”; seus romances eram povoados de jovens estudantes idealizados, moçoilas casadoiras ingênuas e puras e outros tipos que perambulavam pela agitada cidade do Rio de Janeiro.
Manuel Antônio de Almeida
Manuel Antônio de Almeida nasceu em 1831, no Rio de Janeiro. Estudante de Medicina, publica as Memórias de um sargento de milícias em folhetim, no suplemento Pacotilha do jornal Correio Mercantil, ao longo de 1852-1853.
Em 1857, é nomeado diretor da Tipografia Nacional. Em sua passagem por esse órgão, destaca-se um episódio pitoresco: Manuel Antônio de Almeida empregou e orientou um pobre menino mestiço... chamado Machado de Assis.
Morre em 1861, em plena campanha política, no naufrágio de um vapor no litoral norte do Rio de Janeiro.
Memórias de um sargento de milícias é uma obra totalmente inovadora para a sua época, exatamente quando Macedo dominava o ambiente literário, e pode ser considerada como o verdadeiro romance de costumes do Romantismo brasileiro, pois abandona a visão da burguesia urbana para retratar o povo em toda a sua simplicidade. Retrata com malícia, humor e sátira o período de D. João VI no Brasil, justamente o momento das maiores transformações, da mudança da mentalidade colonial para a vida da Corte.
As Memórias ferem a “sensibilidade romântica” a partir de seu herói: comparado com os modelos românticos, Leonardinho é um anti-herói, melhor seria dizer um herói picaresco, aquele que vê a sociedade de baixo para cima, o que está à margem dessa sociedade, com outro ângulo de visão. Isso se percebe a partir das origens de Leonardinho: seus pais — Leonardo Pataca e Maria-da-Hortaliça — conheceram-se na viagem entre Portugal e Brasil; quando desembarcaram, Maria já estava grávida. Ainda pequeno, o garoto é abandonado pelos pais.
Como uma perfeita crônica de costumes, há sempre a preocupação do autor em tudo datar e localizar, pois acima dos figurantes está o acontecimento. O acontecimento: esse é o núcleo de tudo. Em função disso, as Memórias são consideradas uma narrativa pré-realista. No entanto, os pontos de contato com o Romantismo são muitos: o estilo frouxo, a linguagem por vezes descuidada e, principalmente, o final feliz — Leonardinho se regenera, enquadra-se nas milícias como sargento e casa-se com Luisinha. - 7 -

José de Alencar

José Martiniano de Alencar nasceu em 1829, no Ceará. Ainda menino, transfere-se para o Rio de Janeiro com a família. Filho de um senador do Império, assiste em sua casa às reuniões que tramavam a maioridade de Pedro 11. Em 1859 ingressa na vida política, atuando pelo Partido Conservador; foi deputado por várias legislaturas e ministro da Justiça de Pedro II. Tuberculoso, morre 1877 no Rio de Janeiro.
Alencar aparece na literatura brasileira como o consolidador do romance, um ficcionista que trilhou todos os caminhos da prosa romântica, caindo no gosto popular. Por outro lado, em suas obras transparecem nitidamente suas posições políticas e sociais: grande proprietário rural, politicamente conservador, monarquista, escravocrata, nacionalista convicto.
A obra de Alencar é diversificada e, para fins didáticos, podemos dividir seus romances em cinco grupos.
Romances urbanos ou de costumes
Alencar retrata a sociedade carioca de sua época, o Rio de Janeiro do Segundo Reinado, apontando alguns aspectos negativos da vida urbana e dos costumes burgueses. Seus romances giram em torno de intrigas de amor, desigualdade econômica, mas todos com final feliz, em que o amor sempre vence. Cinco minutos (a moça tuberculosa que encontra no amor forças para viver), Sonhos d’ouro (Guida Soares, moça rica, esconde sua fortuna para encontrar o verdadeiro amor, desinteressado), Encarnação (Hermano viúvo de Julieta, a mantém viva na imaginação mesmo depois de casado com Amália: vitória do amor e da dedicação) e A viuvinha são alguns romances dessa modalidade.
A relação se completa com os três “perfis de mulher”: Lucíola (a jovem prostituta que se julga indigna de um verdadeiro amor), Diva (a luta entre o ódio e o amor, vencendo o amor) e Senhora (o amor puro entre dois jovens; a separação motivada pelo dinheiro; o caça-dotes; o casamento por vingança; a redenção: o amor acima de tudo).

Romances históricos
Alencar escreveu dois romances de fundo histórico, voltados para o período colonial brasileiro (se bem que os romances indianistas também possam ser considerados históricos): As minas de prata, que retrata o início da procura de metais, e A guerra dos mascates, que reconstitui a briga entre Olinda e Recife.

Romances regionalistas
O sertanejo e O gaúcho são as duas obras regionalistas de Alencar; procuram realçar o íntimo relacionamento entre o homem e o meio físico, ao mesmo tempo que mostram duas paisagens díspares: o sertão nordestino e os pampas gaúchos.

Romances rurais
Se bem que permeados pelo caráter regionalista, Til e O tronco do ipê são obras voltadas para o meio rural. A primeira retrata as fazendas de café no interior de São Paulo; a segunda, a fazenda Nossa Senhora do Boqueirão, banhada pelo rio Paraíba, no norte do Rio de Janeiro.

Romances indianistas
Este é o gênero que trouxe maior popularidade a Alencar. São três romances: O guarani, Iracema e Ubirajara. Notamos neles, além do indianismo que reflete o nacionalismo e a exaltação da natureza pátria, uma preocupação histórica: nos dois primeiros romances citados, Alencar mescla personagens reais com personagens fictícios; há uma preocupação muito grande em tudo datar e localizar (Alencar chegou a pesquisar textos quinhentistas).
Em O guarani, o índio, individualizado em Peri, aparece civilizado, em contato com os brancos; Alencar até o batiza, para que ele possa salvar Cecília (sem a condição de cristão, o índio não seria confiável!). Iracema, romance baseado numa lenda do período de formação do Ceará, retrata o nativo brasileiro — no caso, a índia — em seu primeiro contato com o branco colonizador. Da relação entre Iracema e o português Martim nasce Moacir, o primeiro cearense. O romance Ubirajara apresenta o índio pré-cabralino, ou seja, o nativo em seu estado mais puro, anterior à chegada do português colonizador.


O teatro romântico

Também é no Romantismo que se define o teatro nacional, e deve-se a Gonçalves de Magalhães, mais uma vez, o papel de pioneiro: em 1838 era representado seu drama Antônio José ou O poeta e a Inquisição, considerado o marco inicial do teatro brasileiro. E mais uma vez se repete o fenômeno: a Gonçalves de Magalhães resta a glória de Ter iniciado o teatro, mas a consolidação ( como acontecera com Gonçalves Dias na poesia) se atribui a Martins Pena e suas comédias de costumes, bem como ao importante trabalho do ator João Caetano. Luís Carlos Martins Pena inaugura um gênero: a comédia de costumes. Com um realismo ingênuo, cria tipos e situações que discretamente satirizam a sociedade da época. São moças casadoiras e velhas solteironas, jovens elegantes e velhos abusados, contrabandistas de escravos e estrangeiros espertos, comerciantes inescrupulosos, enfim, todos os tipos que povoam peças desse gênero. A peça Os dous ou O inglês maquinista é uma de suas importantes obras, onde fala do advento das máquinas e a importância do capital.

Geisa
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