Romantismo no Brasil - Poesia

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Romantismo no Brasil - Poesia

Mensagem  Geisa em Qui Jul 28, 2011 7:44 am

ROMANTISMO – POESIA

O Romantismo teve início na Alemanha e Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII, tendo depois se espalhado por toda a Europa através da França. O movimento filosófico denominado ILUMINISMO, iniciado no Arcadismo e que pregava a queda da monarquia e a valorização dos povos, vem culminar com a Revolução Francesa (1789). Uma revolução social e política que representava a concretização dos anseios populares, lutando por um mundo de igualdade, fraternidade e liberdade. Tais acontecimentos terão grande importância no surgimento do novo estilo.
O eu romântico, incapaz de resolver os conflitos com a sociedade, lança-se à evasão no tempo, no espaço, fugindo. O Romantismo expressa os sentimentos dos descontentes com as novas estruturas sociais.
Pode-se dizer que a essência do estilo romântico reside na liberdade criadora e individual do artista. Decorre daí a total oposição que o escritor romântico manifesta contra qualquer imposição, seja de princípios formais ou temáticos que possa limitar sua capacidade criativa. Como conseqüência dessa liberdade exigida pelo artista, temos uma valorização plena do mundo pessoal ( intuições, sonhos sentimentos, emoções, fantasias...) e a obra passa a ser a expressão do EU, num total subjetivismo que faz do coração o centro do Universo. É o triunfo do sentimento sobre a razão.

O ROMANTISMO NO BRASIL (1836-1881)

Duas publicações são consideradas o marco inicial do Romantismo no Brasil, ambas lançadas em Paris, por Gonçalves de Magalhães, no ano de 1836: a Niterói – Revista Brasiliense e o livro de poesias Suspiros poéticos e saudades.
No Brasil, o momento histórico em que ocorre o romantismo deve ser visto a partir da chegada da família real, em 1808, que leva o Rio de Janeiro a viver um intenso processo de urbanização, tornando-se um campo propício à divulgação das novas tendências européias. Após 1822, cresce no Brasil independente o sentimento de nacionalismo. Busca-se o passado histórico, exalta-se a natureza pátria. O declínio do Romantismo brasileiro coincide com a decadência da monarquia escravocrata.

CARACTERÍSTICAS

Inicialmente, “romântico” era tudo aquilo que se opunha à “clássico”. Ou seja, os modelos da Antigüidade Clássica foram substituídos pelos da Idade Média; a uma arte de caráter erudito e nobre opõe-se uma arte de caráter popular, que valoriza o folclórico e o nacional; o indivíduo passa a ser o centro das atenções, apelando para a imaginação e para os sentimentos, do que resulta uma interpretação subjetiva da realidade.
Quanto ao aspecto formal a literatura romântica se desvincula completamente dos padrões e normas estéticas do Classicismo. O verso livre, sem métrica e sem estrofação, e o verso branco, sem rima, caracterizam a poesia romântica, prevalecendo assim o acento da inspiração.
Quanto ao conteúdo, os românticos cultivavam o nacionalismo, que se manifestava na exaltação da natureza pátria, no retorno ao passado histórico e na criação do herói nacional ( no caso das literaturas européias, esses heróis nacionais são belos e valentes cavaleiros medievais; na literatura brasileira, nossos heróis são os índios, não menos belos, valentes e civilizados). -1-
A natureza também assume múltiplos significados: ora é uma extensão da pátria, ora é um refúgio à vida atribulada dos centros urbanos do século XIX, ora é um prolongamento do próprio poeta e de seu estado emocional.
Outra característica marcante do Romantismo foi o sentimentalismo, a valorização dos sentimentos, das emoções pessoais – o indivíduo passa a ser o centro das atenções (egocentrismo) . Valorizando a imaginação, o romântico cria um mundo particular e faz uma interpretação subjetiva da realidade. Sempre que tal estado de coisas é questionado, o romântico, frustrado, mergulha em profunda depressão, sendo dominado pelo tédio. Daí as constantes e múltiplas fugas da realidade: o álcool, as “casas de aluguel” (os prostíbulos), a saudade da infância, a idealização da sociedade, do amor e da mulher e, a mais radical delas, a morte.
Já no final do Romantismo, as transformações econômicas, políticas e sociais levam a uma literatura que reflete a luta abolicionista, a Guerra do Paraguai, o ideal de república. É a decadência do regime monárquico e o aparecimento da poesia social de Castro Alves.

As gerações românticas


Primeira geração — geração nacionalista ou indianista

Marcada pela exaltação da natureza, pela volta ao passado histórico, pelo medievalismo e pela criação do herói nacional na figura do índio, donde a denominação indianista. O sentimentalismo e a religiosidade também são características importantes.
Entre seus principais poetas podemos destacar Gonçalvess Dias, Gonçalves de Magalhães e Araújo Porto Alegre.


Segunda geração — geração do mal do século ou ultra-romantismo

Fortemente influenciada pela poesia de lord Byron e Musset, é chamada, inclusive, de geração byroniana. Impregnada de egocentrismo, negativismo boêmio, pessimismo, dúvida, desilusão adolescente e tédio constante, seu tema preferido é a fuga da realidade.
Os principais poetas dessa geração foram Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.

Terceira geração — geração condoreira

Caracterizada pela poesia social e libertária, reflete as lutas internas da segunda metade do reinado de D. Pedro II. Essa geração sofreu intensamente a influência de Vítor Hugo e de sua poesia político-social, daí ser conhecida como geração hugoana.
O termo condoreirismo vem por empréstimo do símbolo de liberdade adotado por jovens românticos da América Latina: o condor, águia que habita o alto da cordilheira dos Andes.
Seu poeta mais popular foi Castro Alves.
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Geisa
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